Loja FK Nepal

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Projecto: Iluminação (e composição de vitrinismo) para montra como parte da Acção “Ó Mouraria, ilumina a montra!”. Tipo de projecto: Iluminação de montras. Local: Loja FK Nepal, Rua do Benformoso 101, Mouraria, Lisboa. Equipa: Sara Roby (designer de iluminação tutora da equipa), Catarina Santos (estudante), Gabriela Milewski (estudante). Equipamentos de iluminação utilizados: 1 projector Sunnylight, da Reggiani, com lâmpada Soraa 3000K+ acessórios; 1 projector Gin.o 2 da Hoffmeister, 3000K; calha da Hoffmeister, de 90cm; 1 projector Occhio Lui com base, preto + filtro. Patrocinador: Miragem.

O programa preliminar entregue pela Coordenação da Acção “Ó Mouraria, ilumina a montra!” aos designers tutores para base de preparação do programa base para a loja FK Nepal mencionava que o proprietário da loja tinha identificado as taças tibetanas e os gongos como artigos preferenciais para colocar na montra devido ao intuito de realçar a “originalidade dos seus produtos.” Quando visitei a loja verifiquei que estes produtos possuíam enorme potencial devido ao material em que são produzidos e a sua reacção à luz, isto além de possuírem uma beleza formal intrínseca, pelo que o pedido do proprietário estava justificado. Apesar disso, o certo é que, nas diferentes alturas em que visitei a loja, não encontrei estes os produtos expostos na montra.

A ideia para o trabalho a realizar durante a Acção partiu do potencial de interacção do material dos produtos com a iluminação e centrou-se na vontade de expressar a especificidade dos mesmos e o orientalismo ligado à sua origem. Assim, e tendo por base estes conceitos pretendeu-se: 1. explorar os brilhos do material dos diferentes produtos, 2. organizar os produtos numa composição formal de “inspiração” oriental, 3. trabalhar com cores, 4. usando a iluminação para realçar o produto e os seus brilhos e 5. usando a iluminação colorida para reforçar cores.

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Estipulou-se que a cor base a incluir na montra seria o vermelho, porque na cultura oriental esta cor tem um significado importante – de fortuna, sorte. Pretendia-se inicialmente que o fundo da montra, onde se iriam usar tecidos pertencentes a artigos à venda na loja, fosse também em tons de vermelho mas concluiu-se que, os tecidos que se pensavam usar à partida eram inapropriados para tal, especialmente por serem dispendiosos e portanto não deverem ficar expostos na montra à radiação ultravioleta da luz solar.

A montra da loja apresentou também diversas condicionantes que tiveram que ser equacionados durante a execução desta. Primeiro as dimensões da montra eram relativamente pequenas e o acesso à mesma não era fácil, já que no seu fundo havia, parcialmente fixa, uma grade metálica. As paredes e tecto estavam pintadas respectivamente de amarelo vivo e cyan saturado e pelo menos uma destas cores teria que ser anulada para não interferir com o trabalho a efectuar. Além disso havia a dificuldade acrescida de se ter que trabalhar com os elementos pintados na montra pelo exterior pelo projecto da Associação Renovar a Mouraria (parceira da LLD na Acção).

Para resolver a questão das cores a equipa seleccionou então, dentro dos tecidos disponíveis, um tecido azul escuro de lã para fundo e um tecido de tom creme neutro para cobrir as laterais da montra. Para suspensão dos tecidos e de alguns dos produtos recorreu-se à grade existente no fundo da montra, que passou de condicionante, a aliada do projecto, responsável por manter grande parte da integridade da composição do fundo. Para a exposição das taças tibetanas foram criadas umas caixas em mdf que se pintaram de vermelho (fig. 3) e que, por terem dimensões diversas, permitiram introduzir alguma dinâmica na disposição dessas taças. Escolheram-se também taças de diferentes feitios e diferentes dimensões para evidenciar a diversidade existente na loja. Usou-se apenas um gongo na montra, devido à pequena dimensão desta e o equilíbrio de elementos foi obtido por assimetria, introduzindo-se assim na composição, a referência à cultura oriental tal como pretendido inicialmente. Para quebrar a rigidez da composição, introduziram-se na base de algumas taças, uns adereços para cabelo, compostos com fios de lã grossos azuis e vermelhos que efectuaram a ligação cromática entre todos os elementos coloridos usados na montra.

Ainda sem a composição final totalmente determinada, a equipa testou os efeitos criados pelo uso da luz colorida no material das taças e gongo (fig. 4), tendo descartado o uso de luz amarela e de luz azul por não valorizarem grandemente o material e, optado por apenas utilizar a luz vermelha.

Ficou então colocado na base da montra um projector, que trabalha como um uplight, responsável por pontuar com luz vermelha o máximo de elementos possível. No tecto foram instalados dois projectores para criação de efeitos diferentes. Um primeiro projector, com uma distribuição do feixe de luz aberta, foi direccionado para as taças dispostas na base da montra. A forma côncava das mesmas possibilitou a criação de inúmeros brilhos no seu interior, o que acrescentou uma nova dimensão à sua natureza formal. Um segundo projector, com uma distribuição de feixe de luz o mais fechada possível (dentro do disponibilizado) foi direccionado apenas para o gongo, de forma a criar nele um efeito de luz mais intenso e concentrado. No conjunto, o resultado foi uma iluminação que realça de forma muito apelativa os produtos expostos e, além disso, sem que fosse intencional mas numa surpresa positiva, surgiram até entre a equipa associações feitas entre o efeito de luz criado no gongo e a luz de uma lua cheia.

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Entretanto, note-se que, enquanto a equipa afinava o direccionamento dos projectores e a composição das taças para tirar o máximo partido da iluminação, foi muito gratificante verificar que o proprietário foi sensível a todo esse trabalho. Ao mesmo tempo, o proprietário também concluiu que alguns dos elementos que estavam desenhados na montra interferiam com a leitura do trabalho realizado pela equipa, pelo que (e uma vez que esses desenhos já estavam a necessitar de retoques) sugeriu que os mesmos fossem retirados.

Assim, como designer de iluminação, cumpre-me agradecer a toda a equipa motivada e dedicada que participou comigo na realização da montra e que foi composta pelas estudantes Catarina Santos e Gabriela Mileswki, pelos lojistas Francisco Carvalhais e Dil Karki e pelo patrocinador Miragem, especialmente a Susana Alpalhão e Rui Moraes com quem lidámos directamente. Agradeço inda, tal como já o fiz anteriormente, à LLD por nos ter proporcionado esta ocasião de partilha, de experimentação e de aperfeiçoamento da prática profissional do design de iluminação.

Sara Roby.