Projecto: 7.L.I.G.H.T.Set

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Ficha técnica:
Conceito e Orientação do Projecto 7.L.I.G.H.T.Set – MJPintoCoelho, Lisboa/Portugal.
Os 7 espaços de luz foram desenhados por: Poética da Luz – Eli Serlin, Buenos Aires/Argentina | Espaço e Percepção da Luz – Alfredo Garcia, Bogotá/Colômbia | Construir Sombras com a Luz – Paolo Portaluri, Barcelona/Espanha | Côr da Luz – Diana Joels, Rio de Janeiro/Brasil | Desenhar Luz com a Tencologia – Salvador Islas, Cidade do México/México | Materias sob a Luz – Margarida Bernado, Lisboa/Portugal | Comunicar a Luz – Horacio Medina, Santiago/Chile.
Fotos: Fotógrafos em Ouro Preto + Estúdio Buena Vista + Macaca Filmes.

O jogo, como um exercício fundamental no crescimento e na arquitectura do cérebro, é uma palavra de origem latina, jocu, que significa ‘desenvolvimento’ oferecendo diferentes situações de desafio que motivem diferentes respostas, estimulando a criatividade e a descoberta.

Segundo Piaget Apud Sprinthall & Collins (1994), “o jogo é uma pura assimilação que consiste em modificar a informação de entrada de acordo com as exigências do indivíduo”. Para Medeiros et al. (s. d.), o jogo é encontrado em todas as actividades humanas e pode ser analisado numa perspectiva cultural, está inserido nos costumes dos diferentes povos do planeta. Conforme as diferentes manifestações culturais, os jogos apresentam expressões e características próprias (na linguagem, no conhecimento, na arte, na poesia…), pode ser mais antigo que a própria cultura pois esta, vem antes e determina a formação das sociedades humanas. A formação cultural tem um carácter lúdico; o conceito de jogo deve estar integrado no conceito de cultura.

É aqui que cada um pode explorar, de acordo, com a sua necessidade de procura. Observar, modificar, entender alterando parâmetros e analisando os resultados num quadro de 7 temas – a poesia, o espaço, as sombras, a côr, os materiais, a tecnologia e comunicação – foi esse que se propôs no Jogo de Luz[1]. Foi esse exercício que se quis estabelecer, à escala do espaço, nos 7 espaços de luz – 7.L.I.G.H.T.Set. [2]

Quando nos transportados para o espaço, esse espaço onde passamos então a ser mais um elemento num universo formatado, planeado, construído, talvez, percamos a oportunidade de inserir, comportar, estar. Talvez, por isso, o universo virtual tenha ganho tanto espaço: pela ausência de exigência de sermos, o aqui e agora. Contudo, estes espaços foram exemplos vivos da multifacetada luz, percepção e ilusão do espaço, sempre o mesmo mas, de identidades diversas, numa complexidade simples que proporcionou essa variação de tons, sensações e pensamentos que cada um pode construir. Nesses espaços, nós próprios somos como que, o último objecto presente.

Confirmasse, assim, a capacidade do lighting designer de trazer essa mensagem ao espaço. Contudo, esse processo criativo de interacção, perguntas e descoberta não é fácil de se construir!

Vejamos a primeira exposição na grande sala do maat…! Embora a artista tenha construído uma obra de arte pretende, contudo, recriar um espaço (já que os espectadores fazem parte dele) com um determinado objectivo: recinto onde os seres de outro mundo observariam o comportamento humano nas melhores condições possíveis. Aqui tb cada utilizador partirá à descoberta, à observação, movendo-se, supostamente, como parte desse jogo de percepções. A luz e o som são elementos presentes, pretendendo influenciar essa percepção, esse movimento. Contudo, não senti que sejam determinantes, ao não criarem situações potencialmente motivadoras, porque o espaço/Park, na sua essência, não se altera; não propõe a procura contrariando, de certa forma, a lenda de Pychon que representa o de não se querer figurar em parte alguma, porque alguém se quer esconder “procura-me que não me vais encontrar”.

Por outro lado, o utilizador não se movimenta: deita-se, senta-se, entretem-se muitas vezes isolado, ainda, que acompanhado. O espaço/park não oferece a diversidade necessária para o utilizador se ‘esconder’ e, assim, poder observar e ser observado. Essa inactividade, em directa contradição com a escala do espaço/Park, pressupõe um potencial imenso de possibilidades. Ou será que, quanto maior é o espaço, menor são as possibilidades do o recriar porque perdemos a nossa de cláusura, de útero, onde somos o centro, génese e razão de tudo o que nos rodeia?

Voltando, aos 7 espaços de luz, encontro esse potencial ao sermos ‘cercados’ por uma oportunidade de uma nova vivência, de um novo respirar porque podemos interagir com o meio. O utilizador é efectivamente um elemento ‘parte de’ porque, para além de observador, actua sobre o que sente; criar ou recriar a sua identidade porque o vocabulário que dispõe permiti-lhe rescrever a sua própria mensagem. Uma experiência individual construída e registada, por cada um; espaços em constante metamorfose onde cada utilizador actua e deixa a sua mensagem (fragmentada) que, por sua vez, será a fonte de inspiração do utilizador seguinte. Uma cadeia de sensações que, cada um, constrói e percorre na sua passagem.

Um pequeno jogo que reduzido orçamento sempre obriga tem um apelo despido de ego, de preconceito; potência dos sentidos só possível na entrega. A Luz desenhada, como elemento modelador de cada experiência individual.

É aí que o Lighting Designer pode fazer a diferença na (re)criação de espaço. Porque:

. Usam sempre o substantivo;

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. Não substimam a escala;

. Redefinem a percepção do espaço;

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. Acrescentam uma legenda ao espaço;

. Imprimem o sentido;

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. Induzem memórias;

. Infuenciam os sentidos;

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A Todos os que fizeram este caminho.

Professor MJPintoCoelho, FLLD
Comité Executivo EILD
Equipa Editorial da EILD2016/Ouro Preto

 

[1] Jogo de Luz, EILD2012, Querétaro, Mexico 2012. [2] 7 Espaços de Luz, EILD2016, Ouro Preto, Brasil 2016.

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